Orientação Nutricional para Vegetarianos na Prática

Adhara
21/08/2017

Como um nutricionista pode contribuir para que o vegetariano tenha uma dieta saudável?

 


 

Antes de seguir com a leitura deste artigo é importante ressaltar que qualquer grupo alimentar, vegetariano ou não, requer orientação de um especialista.

A alimentação vegetariana, quando bem planejada, é saudável e segura. Pode ser seguida por qualquer pessoa em qualquer ciclo da vida, visto que o planejamento adequado da dieta não compromete o crescimento e desenvolvimento nos períodos de gestação e infância (os mais preocupantes para a população e profissionais que não estão acostumados com este público no seu dia-a-dia), além de serem consideradas protetoras para o desenvolvimento das doenças crônicas não-transmissíveis, pois não há estudos que mostrem o aumento na incidência de tais doenças neste grupo de pessoas. Pesquisas do IBOPE e IBGE apontam que entre 9% e 10% da população brasileira é vegetariana.

De modo geral, a alimentação vegetariana ou vegana é mais rica em micronutrientes, como potássio e vitamina K, e pobre em sódio, fatores que trazem benefícios à saúde óssea. Para aqueles que estão pensando em aderir ao veganismo, saibam que é de fundamental importância buscar a orientação de um nutricionista capacitado, para que a orientação e o acompanhamento sejam feitos de forma correta e sem prejuízos à sua saúde.

 

Vegetarianos que mantém o peso adequado:

 Nestes casos, deve-se atentar para os grupos utilizados na alimentação, a fim de verificar se há alguma inadequação de micronutrientes ou de macronutrientes, pois o fato de manterem o peso, já é um indicador de que a quantidade de energia ingerida está em equilíbrio com a energia gasta diariamente. Teoricamente não existe a necessidade de se calcular uma dieta para este grupo, deve-se apenas avaliar e orientar quanto aos ajustes necessários;

 

Vegetarianos acima do peso:

 O profissional deve avaliar o indivíduo e buscar identificar se há algum problema além do excesso de ingestão calórica ou diminuição da atividade física. O ideal é que este grupo receba atenção médica e nutricional. Caso alguma patologia seja diagnosticada, a mesma deverá ser adequadamente tratada pelo médico e deve receber atenção nutricional adequada.

Entretanto, na maioria dos casos, basta fazer alguns ajustes, diminuindo a quantidade de gorduras e aumentando a quantidade de outros grupos alimentares, principalmente de fibras, que aumentam a saciedade. Também vale lembrar que é possível perder peso sem praticar atividade física, mas o ideal é associar adequação alimentar e atividade física, por todos os benefícios reconhecidamente atribuídos à mesma;

 

Vegetarianos abaixo do peso:

Qualquer problema de saúde deve ser descartado pelo médico. Caso algum problema seja observado, o mesmo deverá ser adequadamente tratado. E para favorecer o aumento do peso, não se deve cair na tentação de seguir as recomendações opostas às sugeridas para a perda de peso.

Deve-se adequar a ingestão às necessidades individuais, de forma a garantir um fornecimento equilibrado de todos os nutrientes. Em paralelo, aconselha-se realizar atividade física, sob supervisão de um profissional habilitado, buscando aumentar a massa muscular (massa magra), que é muito mais saudável do que ganhar peso às custas somente de ganho de gordura corporal;

 

Atletas vegetarianos:

A dieta vegetariana é excelente para quem pratica esporte em função das proporções entre carboidratos e proteínas, além de conferir a sues adeptos um excelente estado antioxidante, graças a grande quantidade de nutrientes que protegem contra a ação dos radicais livres no organismo, além de possuir elementos alcalinizantes, capazes de neutralizar o excesso de substâncias ácidas produzidas pelo exercício.


Os mitos:

Alguns grupos vegetarianos acreditam que os alimentos devem ser consumidos crus por causa das enzimas presentes nos alimentos, que facilitariam a digestão e que seriam destruídas pelo calor. Entretanto, se esta crença correspondesse à realidade, nós comeríamos todos estes alimentos “pré-digeridos” pelas enzimas. Outra questão que deve ser lembrada, é que todas as enzimas são proteínas e estão são desnaturadas pelo calor e pela presença de ácido, sendo assim, mesmo que o alimento seja ingerido cru, ao chegar no estômago e ter contato com o ácido clorídrico, estas enzimas perderiam suas funções do mesmo jeito, e seriam “tratadas” pelo nosso aparelho digestivo da mesma forma que as demais proteínas ingeridas: desmembradas em seus aminoácidos constituintes, para estes sejam absorvidos e utilizados posteriormente na produção de novas proteínas.

Outro mito diz respeito à combinação dos nutrientes numa mesma refeição. Muitas pessoas acreditam que não se deve misturar carboidratos e proteínas, entretanto, tal proposta mostra-se praticamente impossível de ser realizada pois todos os alimentos contém proteínas e carboidratos em sua composição (o que varia é a quantidade ou predominância destes nutrientes em cada grupo alimentar). Assim, o que importa é a adequação da alimentação como um todo e não somente de refeições isoladas.

 

Dra. Luciana Chiele - Nutricionista Clínica e Funcional Espaço Adhara

 

Fontes pesquisadas:

http://www.socesp.org.br/blogdocoracao/2015/10/14/dicas-nutricionais-para-veganosvegetarianos/

https://www.portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/nutricao/orientacao-nutricional-para-vegetarianos-na-pratica/22838

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